Você costuma tomar suplemento multivitamínico como uma segurança para manter sua saúde em dia? Pesquisas afirmam que uma em cada três pessoas tomam o item regularmente. Ou seja, muitas pessoas acreditam nessa teoria.

Mas você sabe o que é um suplemento multivitamínico e se ele é realmente necessário para te manter saudável? Neste artigo você encontrará detalhes sobre o assunto, confira.

O que é um multivitamínico?

Em um significado científico, o termo ‘multivitamínico’ tem um termo um tanto quanto vago. De maneira geral, eles devem conter a maioria das vitaminas e minerais essenciais em níveis próximos aos que precisamos diariamente, mas alguns se definem apenas com três vitaminas e minerais diferentes presentes.

Não existe uma definição regulamentar padrão de quais nutrientes ou que nível destes um multivitamínico deve conter. Isso torna difícil generalizar seus benefícios, uma vez que também tendem a ser formulados de forma diferente para crianças, adultos, homens, mulheres, gestantes e idosos.

Foto: Anna Shvets/Pexels

Existem benefícios para a saúde?

Segundo diversos estudos, aqueles que tomam multivitaminas tendem a ingerir uma quantidade maior de micronutrientes em sua rotina do que os que não tomam. E essas mesmas pessoas são mais propensas a ter um nível de educação mais alto e renda mais alta. Além disso, essas ainda podem ter índice de massa corporal mais baixo e níveis mais altos de atividade física – todos fatores que estão ligados a uma saúde melhor.

De fato, há alguma validade na afirmação, pois muitos usuários de multivitaminas pertencem ao grupo dos “bem preocupados” e costumam ser bastante saudáveis.

Então, os multivitamínicos dão um impulso adicional à saúde fora do que a dieta e o estilo de vida podem oferecer? A maioria dos estudos até agora não podem provar definitivamente se tomar multivitaminas tem ou não um benefício para a saúde. O problema é que as pessoas que tomam esses suplementos têm maior probabilidade de ter dietas e um estilo de vida mais saudável.

Mas se você olhar para pesquisas observacionais, alguns estudos sugerem benefícios. Ainda há alguns outros que mostram problemas adversos de saúde e outros nenhum benefício. Muito confuso, de fato.

A evidência é mista sobre seus benefícios

Um dos maiores estudos observacionais sobre multivitaminas e saúde envolveu mais de 160.000 mulheres. Essas, com idades entre 50 e 79 anos, estavam na pós-menopausa. Todas faziam parte do estudo da Women’s Health Initiative, que explorou marcadores de saúde, risco de câncer, doenças cardíacas e osteoporose.

Mais de 40% das mulheres estavam tomando um suplemento multivitamínico. Contudo, ao longo dos 8 anos do estudo, não houve ligação entre tomar esses suplementos com o risco de desenvolver câncer, doença cardiovascular ou morrer mais cedo.

A revisão sistemática e meta-análise mais recente de 18 estudos observacionais envolvendo mais de 2 milhões de participantes avaliou os benefícios para doenças cardíacas. Porém, não foram encontradas associações entre a suplementação multivitamínica e os resultados de doenças cardiovasculares, incluindo mortalidade.

Segundo especialistas, ensaios clínicos randomizados são melhores do que estudos observacionais. Isso porque eles permitem investigar quaisquer efeitos diretos dos multivitamínicos na saúde mais precisamente. Em 2006, uma revisão abrangente analisando apenas ensaios clínicos randomizados e controlados foi feita. Esta descobriu que tomar um multivitamínico não reduzia o risco de qualquer doença crônica em comparação com pessoas que tomavam uma pílula de placebo.

Mais recentemente, publicado em 2012, o The Physicians Health Study II analisou o benefício de multivitaminas usando um desenho de ensaio clínico randomizado. O estudo envolveu mais de 14.000 médicos do sexo masculino nos Estados Unidos com 50 anos ou mais. Porém, não houve indícios de qualquer benefício em tomar um multivitamínico de amplo espectro na redução do risco de ter um ataque cardíaco, derrame ou morrer de um evento cardiovascular.

Os homens que tomaram o multivitamínico também não viram nenhum benefício no risco de morrer mais cedo em comparação aos homens que tomaram um placebo. Uma análise posterior dos dados desse mesmo grupo de homens descobriu, no entanto, que tomar um multivitamínico estava relacionado a um risco 8% menor de desenvolver câncer. Mas esses mesmos homens, em relação à redução no risco de morrer de câncer, não viram bons resultados.

Passando para a pesquisa e avaliação mais recente das evidências no campo, uma revisão crítica aconteceu em 2015. Nesta, os estudos observacionais e ensaios clínicos randomizados exploraram a eficácia dos multivitamínicos na redução do risco de doenças crônicas.

O que ele encontrou? A maioria dos estudos científicos que investigam o uso de suplementos na redução do risco de doenças crônicas não relatou nenhum efeito significativo. A revisão, no entanto, observou pesquisas anteriores que sugeriam algum benefício dos multivitamínicos na redução do risco de desenvolver câncer, pelo menos em homens. Porém, nenhuma evidência forte mostra que as mulheres também podem se beneficiar.

Sobre esse tópico do câncer, uma avaliação abrangente do campo de pesquisa do Fundo Mundial de Pesquisa do Câncer e do Instituto Americano de Pesquisa do Câncer recomendou o não uso de suplementos dietéticos para a prevenção do câncer. O fato se deu por causa da imprevisibilidade dos benefícios e riscos potenciais. Ainda foi ressaltado a possibilidade de eventos adversos inesperados.

algumas evidências de que multivitaminas que incluem altas doses de antioxidantes podem ajudar a reduzir o risco de catarata e degeneração macular relacionada à idade. Porém, ainda estamos aguardando estudos de alta qualidade para confirmar isso. O uso de antioxidantes em altas doses não é isento de riscos. Portanto, pode não compensar qualquer benefício para a saúde ocular.

O que dizem os especialistas?

Perguntamos a cinco especialistas se as multivitaminas deixam você mais saudável. A visão dos especialistas foi misturada com a maioria dando um “sim”. Porém, o contexto de seu uso é fundamental para entendermos essa resposta.

A Dra. Cornelie Nienaber-Rousseau, especialista em nutrição da North-West University, comentou sobre a revisão atualizada da Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos EUA. Ela afirmou que as evidências são insuficientes para recomendar a favor ou contra o uso rotineiro de suplementos de vitaminas A, C ou E. Além do uso de multivitaminas com ácido fólico ou combinações antioxidantes para a prevenção de câncer ou doenças cardiovasculares.

Na verdade, alguns suplementos podem ser prejudiciais, escreveu ela. Os suplementos de beta-caroteno quando tomados isoladamente ou com outras vitaminas podem aumentar o risco de câncer de pulmão em fumantes. Uma meta-análise, realizada em 2010 através de ensaios clínicos randomizados, usaram suplementos antioxidantes para ajudar a prevenir o câncer. Porém, a pesquisa não encontrou nenhuma evidência clínica para apoiar o benefício dos suplementos antioxidantes contendo vitamina A, vitamina C, vitamina E, beta-caroteno ou selênio.

O Dr. Gideon Meyerowitz-Katz, epidemiologista da Universidade de Wollongong, na Austrália, também avaliou as evidências de multivitaminas. Ele escreveu que não parece haver fortes evidências de que multivitaminas melhoram a saúde de pessoas que são saudáveis ​​e têm uma dieta balanceada.

As relações positivas existentes entre os suplementos e a saúde são provavelmente confundidas. O fato se dá, sobretudo, pois as pessoas mais saudáveis ​​são do grupo com maior probabilidade de tomá-los.

Multivitaminas podem ajudar com deficiências

Nem tudo são notícias negativas sobre as multivitaminas. Tomar um suplemento multivitamínico ajuda as pessoas a obter a ingestão recomendada de vitaminas e minerais. Esse fato acontece, sobretudo, quando estas não podem atender as necessidades apenas com a alimentação. E existem muitas hipóteses em que este é o caso, como:

  • Pessoas com maior probabilidade de ter uma ingestão alimentar pobre, como aqueles em dietas restritas ou idosos;
  • Mulheres que planejam engravidar. O consumo de ácido fólico e outros nutrientes, como iodo, ferro e vitamina D, antes e durante a gravidez, são bem fundamentadas por evidências científicas;
  • Pessoas que seguem uma dieta vegana em que a deficiência de vitamina B12 pode ser um problema;
  • Pessoas que abusam cronicamente de álcool;
  • Pessoas que realizaram a cirurgia bariátrica para a perda de peso;
  • Pessoas com problemas de má absorção. Ou seja, aqueles com doença celíaca, doença de Crohn, fibrose cística ou pancreatite;

O Dr. Gideon Meyerowitz-Katz explicou que geralmente há uma boa razão para tomar multivitaminas quando alguém está com deficiência. Por exemplo, os suplementos contendo ferro podem ajudar as mulheres que correm o risco de deficiência. Esse problema pode ocorrer, sobretudo, durante os anos reprodutivos devido às perdas adicionais de ferro na menstruação.

A partir da análise, a Dra. Nienaber-Rousseau que citou pessoas que seguem uma dieta vegana como um exemplo ideal de candidatos para as multivitaminas, tendo em vista que muitas destas costumam perder nutrientes.

Uma alimentação saudável contém muito mais benefícios do que se imagina

O que os humanos comem? Alimentos! Os alimentos são uma fonte complexa de vitaminas, minerais e fitoquímicos (produtos químicos vegetais), que trabalham todos juntos.

Os suplementos tendem a funcionar isoladamente e contêm apenas uma fração dos nutrientes essenciais diários. Estes, por sua vez, podem ser encontrados facilmente em uma dieta diversificada. Os alimentos também contêm vitaminas em diferentes formas. Por exemplo, a vitamina E pode ser adquirida naturalmente em 8 formas diferentes. Contudo, os suplementos geralmente contêm apenas uma dessas formas. Cada uma dessas formas de vitamina E tem diferentes níveis de biodisponibilidade e até mesmo atividade.

São muitos os benefícios potenciais para a saúde que podem ser obtidos ao comer os alimentos corretos. Provavelmente, essa é a razão pela qual a maioria dos estudos não mostram que as multivitaminas oferecem muitos benefícios para a saúde. Sem dúvidas, a comida tem muito mais benefícios do que vitaminas e minerais essenciais.

O que procurar em um suplemento

Decidiu tomar um suplemento multivitamínico? Você sabe o que deve ser procurado?

Em primeiro lugar, o item deve lhe fornecer uma quantidade aproximada da ingestão diária recomendada para a maioria das vitaminas e minerais. Um nível de 75% é uma boa linha de base para trabalhar. Porém, essa ideia ainda está longe, afinal como esperar de um multivitamínico conseguir isso para todos os nutrientes em uma pílula de um dia. O cálcio é um bom exemplo, pois a quantidade de que precisamos é muito grande (cerca de 1 grama por dia).

Escolha um multivitamínico adequado à sua idade, sexo e outras características, como se você estiver grávida. Multivitamínicos para mulheres geralmente contêm ferro adicional. Já aqueles para idosos geralmente fornecem mais cálcio e vitaminas D e B12.

Tomar um multivitamínico básico que fornece nutrientes em quantidades próximas às recomendadas provavelmente não representa um risco para a segurança de pessoas saudáveis. No entanto, esteja ciente de que comer uma dieta rica em alimentos fortificados pode significar muito mais do que consumir multivitamínicos.

Enfim, multivitaminas oferece muitos pontos positivos para aqueles que possuem deficiências de vitaminas e minerais. Contudo, não oferecem muitos benefícios à saúde para a população em geral. Acha que pode estar faltando alguns nutrientes em sua rotina? Pode ser que melhorar a sua dieta ajude mais do que buscar pelo uso de suplementos. Se precisar de ajuda, consulte seu médico ou nutricionista.

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