Pandemia preocupa profissionais de saúde mental a respeito dos efeitos nas taxas de suicídio e agravamento de doenças mentais.

Estima-se que o número de suicídios no mundo inteiro chegue a cerca de 1 milhão por ano. Enquanto no Brasil são registrados cerca de 12 mil casos de suicídios anualmente, apesar das subnotificações, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

Photo by Estée Janssens on Unsplash

A sensação de isolamento é uma constante entre os suicidas. O sentimento pode se agravar durante o distanciamento social decorrente da pandemia. Por isso os especialistas alertam para que de alguma forma, amigos, parentes e familiares busquem estar perto das pessoas que já sofrem com alguma doença mental ou que estejam manifestando sintomas e mudanças nos padrões de comportamento, ainda que virtualmente.

A Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS)  lançou um alerta a respeito do aumento dos fatores de risco para o suicídio durante a pandemia de Covid-19.

Ainda não é possível estimar em números o quanto a taxa de suicídios aumentou, mas estudos recentes revelam que sinais de alerta de risco para a saúde mental já podem ser identificados durante a pandemia. São eles a angústia, tristeza, sentimento constante de perda, ansiedade e depressão.

Além destes, há ainda os fatores ambientais insalubres que colaboram com o enfraquecimento da saúde mental. Tais como: ambienta familiar violento, abuso de álcool e outras substâncias químicas.

Devido ao grande número de casos e a tendência de aumento desse número, a ABP em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM) administra nacionalmente o evento global da Associação Internacional de Prevenção do suicídio (IASP) e conta com o apoio da OMS (Organização Mundial da Saúde),  o Setembro Amarelo desde o ano de 2014.

É importante estar atento aos sinais de que alguém pode estar planejando cometer suicídio. Alguns sinais de alerta são:

  • Falta de interesse pelo próprio bem estar; a pessoa pode perder a vontade de tomar banho, por exemplo;
  • Comprar armas;
  •  Queda de produtividade no trabalho e estudos;
  • Estocar comprimidos;
  • Mudança nos padrões de sono e alimentação;
  • Intensidade na procura por sexo; a procura repentina por sexo, por vezes desprotegido, denuncia um padrão de autodestruição;
  • Tentativa de fazer as pazes com as pessoas como se estivesse se despedindo;
  • Sentimento de culpa e/ou vergonha.

Ao contrário do que se possa pensar, o suicídio acontece não apenas em decorrência da depressão. É impossível classificar uma única causa para o suicídio, entretanto há alguns pontos em comum. Inclui-se nas possíveis causas outros transtornos mentais, como o abuso de substâncias químicas e também o transtorno bipolar.

É importante pontuar que suicida não é apenas a pessoa que se mata. Mas também a pessoa que por doenças mentais não tratadas ou com tratamentos ineficientes tem ideações suicidas. Pensar em se matar, em maneiras de se matar, já é um sinal de alerta para a pessoa e para aqueles que estão em volta. Estima-se que cada suicídio impacte 135 pessoas. O que nos leva ao alarmante número de 108 milhões de vidas afetadas pelo suicídio por ano.

Buscando ajuda

Como passo inicial para o acesso à informação a ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria) e o CFM (Conselho Federal de Medicina) lançaram uma cartilha disponível para baixar em formado PDF, contendo informações sobre as doenças mentais e comportamento suicida a fim de ser mais uma arma na prevenção do suicídio.

A data mundial da campanha é dia 10 de setembro. Porém o evento tem duração mais ativa durante todo o mês com ciclos de palestras e presença nas mídias. O objetivo da divulgação é prevenir e levar informação sobre saúde mental ao público. Visto que, a maioria dos suicídios poderia ser evitado caso o suicida tenha acesso ao tratamento adequado para a sua desordem mental e apoio familiar e de amigos.

Se você ou alguém que conhece apresentar sinais de alerta procure ajuda de um psicólogo ou em hospitais que possuam a especialidade de psiquiatria.

É possível também entrar em contato com o Centro de Valorização da Vida pelo site ou pelo número 188.

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Sobre o Autor

Sarah Ayume
Sarah Ayume

Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. É redatora freelancer e também escreve para o portal Meu Grande ABC.